segunda-feira, maio 23, 2011

A Renda e a Moda

          As rendas estão dominando o inverno 2011; nas cores branca, preta ou em uma gama infinita de tonalidades, estão se impondo na lojas, ruas e nos desfiles mais importantes por todo o Mundo. Elas traduzem feminilidade, refinamento e elegância à mulher. Por isso a elegi para ser o tema da semana. Então vamos começar contando um pouquinho a história da renda no mundo da moda.

         Este tecido é elaborado com pequenas aberturas na superfície e desenhos decorativos produzidos manual ou tecnologicamente. Os modelos mais populares são a renda de bilros e a de agulha. A primeira é produzida por meio do manuseio de inúmeros fios, cada um atado a um bilro; ela é normalmente manipulada com o apoio de uma almofada. Outro modelo bastante popular no nordeste de nosso pais é a renda renascença, feita à mão com agulha, linha e lacê de algodão.


Rendeira da Raposa - MA fazendo a Bilro
Vestido todo em Renda Renascença

         Inicialmente a renda era limitada ao figurino utilizado na corte e entre os membros do clero, normalmente em tecidos de fio de prata, de ouro ou de seda. Nos séculos XVII e XVIII ela já se estendia aos detalhes de acessórios criados para enfeitar os cabelos, a babados, aventais e adornos de vestidos.

Vestimenta das Damas da Corte


        No princípio do século XIX a renda já era algo usualmente presente em vestidos, casacos, luvas, enfeites de guarda-sóis, lenços, xales, mimos, mantilhas lançadas sobre os ombros, entre outras peças do vestuário. Como hoje, em pleno século XXI, quando ela é encontrada nos pormenores do figurino feminino.

       A diferença é que em nossos dias este tecido pode se impor no look como um todo, em calças, vestidos, nas sobreposições e em trajes estampados para as mais intrépidas. No Brasil ela intensifica o poder de sedução do público feminino. Aliás, em nosso país a renda desembarcou junto com a família real portuguesa, e nunca mais abandonou as terras tropicais.


Desfile de João Pimenta inspirado na chegada da família real portuguesa no Brasil.

      As primeiras rendeiras surgiram na região nordeste do Brasil; elas elaboravam tramas confeccionadas com linho. Aos poucos este ofício, transmitido de mães para filhas, passou a ser exercitado com matérias-primas como algodão, seda, viscose, náilon e elastano.

          Este procedimento transformou a renda em um material de menor custo e, por isso mesmo, menos elitista. Durante boa parte do século XX este tecido ficou restrito a pequenos detalhes das roupas íntimas e dos trajes de noiva. Hoje ela retoma seu lugar por excelência no universo da moda.

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